O sexo é o instinto mais poderoso no ser humano.
Os políticos e os sacerdotes entenderam desde o princípio que o sexo é a maior
força motriz do ser humano. Ela precisa ser reduzida, precisa ser cortada. Se
permitirem ao ser humano total liberdade no sexo, não haverá possibilidade de
dominá-lo, será impossível torná-lo um escravo.
Você já não viu isso sendo feito? Quando se quer que um touro puxe uma
carroça, o que se faz? Ele é castrado. Aniquila-se sua energia sexual. E você
já percebeu a diferença entre um touro e um boi? Que diferença! Um boi é um
triste fenômeno, um escravo. Um touro é uma beleza, um fenômeno glorioso, um
grande esplendor. Veja um touro andando, ele anda como um imperador! E veja um
boi puxando uma carroça.
O mesmo se fez com o ser humano: o instinto sexual foi restringido,
cortado, mutilado. Agora o ser humano não é mais um touro, ele é um boi, e cada
ser humano está puxando mil carroças. Olhe e veja, atrás de você, mil carroças,
e você as está puxando.
Por que não se pode colocar um touro para puxar uma carroça? O touro é
poderoso demais. Ao ver uma vaca passando, ele atira ambos longe, você e a
carroça, e vai atrás da vaca! Ele não se importa nem um pouco com você e não
escuta. É impossível controlar o touro. A energia sexual é a energia da vida, e
ela é incontrolável. E o político e o sacerdote não estão interessados em você,
mas em canalizar sua energia para outras direções. Assim, existe um certo
mecanismo por trás disso, que precisa ser entendido.
A repressão sexual, o tabu sexual, é a verdadeira base da escravidão
humana. O ser humano não pode ser livre a menos que o sexo seja livre. O ser
humano não pode ser realmente livre a menos que seja permitido à sua energia
sexual um desenvolvimento natural.
Estas são as cinco estratégias pelas quais o ser humano foi convertido em
escravo, num fenômeno vil, num mutilado.
Primeira estratégia:
Mantenha o ser humano tão fraco quanto possível, se você quiser dominá-lo. Se o
sacerdote ou o político desejam dominá-lo, eles precisam deixá-lo o mais fraco
possível. E a melhor maneira de manter uma pessoa fraca é não dar-lhe liberdade
ao amor. Amor é nutrição. Agora os psicólogos descobriram que, se uma criança
não recebe amor, ela atrofia e fica fraca. Você pode dar-lhe leite, pode
dar-lhe remédios, pode dar-lhe roupas, brinquedos e enchê-la de objetos, mas
não dê amor. Não a abrace, não a beije, não a deixe sentir o calor do seu corpo
e ela começará a ficar cada vez mais fraca. Existem mais chances de a criança
morrer do que de sobreviver.
O que acontece? Por quê? Basta abraçar, beijar, dar calor humano para a criança
se sentir nutrida, aceita, amada, necessária. Ela começa a sentir-se digna,
surge um certo sentido em sua vida.
Ora, desde a tenra infância nós a deixamos à míngua; não damos tanto amor
quanto necessário. Então, tentamos forçar os jovens a não se apaixonar, a menos
que se casem. Aos catorze anos de idade eles se tornam sexualmente maduros.
Porém, a educação deles pode levar mais tempo, mais dez anos, até que tenham
vinte e quatro ou vinte e cinco anos. Depois, eles obterão seus mestrados, seus
doutorados... dessa maneira, tentamos forçá-los a não amar.
A energia sexual atinge seu clímax em torno dos dezoito anos de idade. Nunca
mais um homem será tão potente, e nunca mais uma mulher será tão capaz de ter
um orgasmo tão intenso do que em torno dos dezoito anos. Mas nós os forçamos a
não fazer amor - meninos e meninas são mantidos separados, e entre eles fica
todo o mecanismo repressor da polícia, dos professores, dos zeladores, dos
vice-diretores, dos diretores. Todos eles estão lá, exatamente no meio,
impedindo os meninos de procurarem as meninas e impedindo as meninas de
procurarem os meninos. Por quê? Por que tanto cuidado? Eles estão tentando
matar o touro e criar um boi.
Quando você atinge os dezoito anos de idade, está no auge de sua energia
sexual, da sua energia amorosa. E, quando você se casa, está na casa dos vinte
e cinco, vinte e seis, vinte e sete anos... e a idade está aumentando cada vez
mais. Quanto mais culto um país, mais tempo se espera, porque é preciso
aprender mais, procurar um emprego, isso e aquilo. Quando você se casa, o seu
poder sexual já está praticamente em declínio. Você ama, mas o amor nunca fica
realmente quente, nunca chega ao ponto em que a pessoa evapora; ele permanece
morno. E não sendo capaz de amar totalmente, você não poderá amar seus filhos,
porque você simplesmente não sabe como. Você não conheceu o apogeu, como poderá
ensinar a seus filhos, como poderá ajudá-los a chegar ao apogeu?
Ao longo dos tempos, o amor foi negado ao ser humano, para que ele permanecesse
fraco.
Segunda estratégia:
Mantenha o ser humano tão ignorante e iludido quanto possível, para que ele
possa ser facilmente enganado. E, se você deseja criar uma multidão de idiotas,
que é uma necessidade para o sacerdote e para o político, então o melhor é não
permitir que ele descubra o amor. Sem amor, a inteligência da pessoa diminui.
Você não observou isso? Quando você se apaixona, de repente todas as suas
capacidades e potencialidades ficam no auge, em ascensão. Um momento atrás você
parecia entediado e, então, encontra a pessoa amada; de repente, uma grande
alegria emerge de seu ser, você fica radiante. Enquanto as pessoas amam, elas
atuam em seu máximo e dão o melhor de si. Quando o amor desaparece ou quando
ele não está presente, elas atuam em seu mínimo.
As pessoas mais inteligentes são as mais sensuais. Isso precisa ser entendido,
porque a energia do amor é basicamente inteligência. Se você não pode amar, de
algum modo fica fechado, frio; você não pode fluir. Fica obliterado. Amando, a
pessoa flui; amando, a pessoa se sente tão confiante que pode tocar as
estrelas. Por isso, a mulher se torna uma grande inspiração, o homem se torna
uma grande inspiração. Quando uma mulher é amada, ela fica mais bela,
imediatamente, instantaneamente! Um momento atrás ela era apenas uma mulher
comum, e agora o amor se derramou sobre ela — ela é banhada por uma energia
totalmente nova, uma nova aura surge à sua volta. Ela caminha mais graciosamente,
uma dança surgiu em seu passo. Agora seus olhos têm imensa beleza, sua face
brilha, ela fica luminosa. E o mesmo acontece com o homem.
Quando as pessoas estão amando, elas atuam da melhor maneira possível. Se
expandem. Não permita o amor, e elas permanecerão encolhidas. Quando elas
permanecem no mínimo, ficam estúpidas, ignorantes e sem auto-estima. E, quando
as pessoas são ignorantes, estúpidas, iludidas e sem auto-estima elas podem ser
facilmente enganadas.
Quando as pessoas são sexualmente reprimidas, reprimidas no amor, começam a
almejar outra vida. Pensam no céu, no paraíso, mas esta condição está num
futuro imaginário. Elas não pensam em criar o paraíso aqui e agora. Quando você
está amando, o paraíso é aqui e agora. Então, você não se importa. Então, quem
buscaria o sacerdote? quem se importaria se há ou não o paraíso? Você já está
nele! Sente. Não precisa ninguém dizer para você. Mas, quando sua energia
amorosa é reprimida, você começa a pensar: "Aqui não há nada, o agora é vazio.
Em algum lugar deve haver algum objetivo..." Você vai ao sacerdote e o
pergunta sobre o paraíso, e ele pinta belas imagens do paraíso. O sexo foi
reprimido para que você possa ficar interessado na outra vida. E, quando as
pessoas estão interessadas na outra vida, naturalmente não se interessam por
esta, não vivem o aqui e agora.
Esta vida é a única vida. A outra vida está oculta nesta vida! Não é contrária
a ela, não está distante dela; a outra está dentro desta. Mergulhe nesta vida -
ela é isto! Penetre nela e também descobrirá a outra. Deus está oculto no
mundo, está oculto no aqui e agora. Se você amar, será capaz de senti-lo.
Terceira estratégia:
Mantenha o ser humano tão assustado e amedrontado quanto possível. E a maneira
segura é não lhe permitir o amor, porque o amor aniquila o medo, destrói o
medo. Quando você está amando, não tem medo. Quando está amando, pode lutar
contra o mundo inteiro, sente-se infinitamente capaz de qualquer coisa. Mas,
quando você não está amando, tem medo de coisas até pequenas. Quando você não
está amando, fica mais interessado em segurança, em proteção. Quando você está
amando, fica mais interessado em aventura, em investigação. Por isso, às
pessoas não é dada a permissão para amar porque essa é a única maneira de
deixá-las com medo. E, quando elas estão com medo estão sempre de joelhos,
curvando-se para o sacerdote e para o político.
Essa é uma grande conspiração contra a humanidade, contra você! Seus políticos
e seus sacerdotes sabem disso, mas fingem ser servidores públicos. Eles dizem:
"Estamos aqui para servi-lo, para ajudá-lo a atingir uma vida melhor, para
criar uma vida boa para você." E eles são os destruidores da própria vida.
Quarta estratégia:
Mantenha o ser humano tão infeliz quanto possível, porque uma pessoa infeliz
fica confusa, não tem auto-estima, condena-se a todo instante e sente que deve
ter feito algo errado. Uma pessoa infeliz não tem base; pode-se empurrá-la para
lá e para cá e ela pode se transformar muito facilmente numa marionete. E uma
pessoa infeliz está sempre disposta a ser comandada, a receber ordens, a ser
disciplinada, porque ela sabe: "Por mim mesma, sou simplesmente miserável.
Talvez alguém possa disciplinar a minha vida." Ela torna-se uma vítima.
Quinta estratégia:
Mantenha as pessoas tão alienadas umas das outras quanto possível, para que não
possam se unir para algum propósito que o sacerdote e o político possam não
aprovar. Mantenha as pessoas separadas umas das outras, não deixe que elas tenham
muita intimidade. Quando as pessoas estão separadas, isoladas, distantes,
alienadas umas das outras, elas não podem se unir. E existem mil e um truques
para mantê-las sempre separadas.
Por exemplo: se você estiver segurando a mão de um homem - você é um homem e
está segurando a mão de um homem, andando na rua a cantar -, você se sentirá
culpado, porque as pessoas começarão a olhar para você. Você é bicha,
homossexual ou algo assim? Dois homens não têm permissão de estarem felizes
juntos, não têm permissão de darem as mãos, de se abraçarem. Eles são
condenados como homossexuais, e surge o medo. Se seu amigo vem e segura sua
mão, você olha à volta: "Estão olhando ou não?"
E você fica com pressa de soltá-la!
O aperto de mãos é apressado, sem vida e sem graça. Você observou isso? Você
simplesmente toca a mão do outro, balança-a e está acabado. Você não segura a
mão, não abraça o outro; você tem receio. Você se lembra de seu pai abraçando
você? Você se lembra de sua mãe abraçando você depois que você ficou
sexualmente maduro? Por que não? O medo foi criado. Um jovem e sua mãe se
abraçando? Isso deve ser proibido, pois talvez algum pensamento sensual surgirá
entre eles, alguma idéia, alguma fantasia. O medo foi criado; o pai e o filho
não! o pai e a filha, não! o irmão e a irmã, não! o irmão e o irmão, não! Eles
não devem se abraçar.
As pessoas são mantidas em compartimentos separados com fortes paredes à volta
delas. Todos são classificados, recebem um rótulo, e existem mil e uma
barreiras. Sim, um dia, depois de vinte e cinco anos de todo esse treinamento,
você terá a permissão de fazer amor com sua esposa. Mas agora, esse longo
treinamento penetrou tão fundo em você e, de repente, você não sabe o que
fazer. Como você irá amar? Você não aprendeu a linguagem. É como se uma pessoa
fosse proibida de falar por vinte e cinco anos. Escute: por vinte e cinco anos
ela não teve permissão de falar uma única palavra e, de repente, você a coloca
num palco e lhe diz: "Dê uma ótima palestra!" O que acontecerá? Ela
tombará ali mesmo. Ela poderá desmaiar, poderá morrer... vinte e cinco anos de
silêncio e, agora, de repente, espera-se que ela dê uma grande palestra? Isso é
impossível.
E é isso o que está acontecendo! Vinte e cinco anos de anti-amor, de medo e, de
repente, a lei lhe dá permissão para amar - você agora tem uma licença e agora
pode amar essa mulher. "Essa é sua esposa, você é o marido dela e vocês
têm permissão de amar um ao outro." Mas onde foram parar aqueles vinte e
cinco anos de treinamento errado? Eles estarão presentes dentro de vocês.
Sim, você "amará"... fará gestos. Não será explosivo, não será
orgástico; será muito comedido. É por isso que você fica frustrado depois de
fazer amor - noventa e nove por cento das pessoas ficam frustradas depois de
fazer amor, mais frustradas do que jamais estiveram. E elas sentem: "O que
é isso? Não existe nada! Não existe sentimento. Isso não é verdadeiro!"
Primeiro, o sacerdote e o político deram um jeito para que você não fosse capaz
de amar e, depois, aparecem novamente e pregam que isso é assim mesmo. E
certamente a pregação deles parece correta, parece estar exatamente de acordo
com a sua experiência. Primeiro eles criam a experiência de futilidade, de
frustração e, depois, completam com o ensinamento. E juntos, ambos parecem
lógicos, uma peça só. Está aí o grande truque, o maior já feito para enganar o
ser humano.
Essas cinco estratégias podem ser usadas por meio de uma só: o tabu contra o
amor. É possível cumprir todos esses objetivos impedindo, de alguma maneira, as
pessoas de se amarem. E o tabu foi apresentado de maneira científica. Esse tabu
é uma grande obra de arte - demonstra grande habilidade e astúcia. Trata-se
realmente de uma obra-prima! Esse tabu precisa ser entendido.
Primeiro, ele é indireto, oculto. Ele não é aparente, porque sempre que um tabu
for muito óbvio, ele não funcionará. O tabu precisa ser oculto, para que você
não saiba como ele funciona; tão oculto que você não possa nem imaginar que
seja possível algo contra ele. Ele precisa penetrar no inconsciente e não no
consciente, entendeu? Então como fazê-lo ser tão sutil e tão indireto?
O truque é o seguinte: primeiro, insista em ensinar que o amor é maravilhoso,
para que as pessoas nunca pensem que os sacerdotes e os políticos são contra o
amor. Continue a ensinar isso, que o amor é maravilhoso, que ele é a coisa
certa a fazer mas ao mesmo tempo não permita nenhuma situação em que o amor
possa acontecer. Não permita que a oportunidade surja, não dê oportunidade e
insista em ensinar que a comida é fantástica, que comer é uma grande alegria,
"Coma tão bem quanto puder." Mas não ofereça nada que seja
comestível. Mantenha as pessoas famintas e insista em falar sobre o amor.
Assim, todos os sacerdotes ficam o tempo todo falando sobre o amor. O amor é
mais louvado do que qualquer outra coisa; ele só perde para Deus, e no entanto
é negada toda a possibilidade de o amor acontecer. Diretamente, eles o
encorajam; indiretamente, eles cortam suas raízes. Essa é a obra-prima.
Nenhum sacerdote fala como causou o mal. É como se você ficasse dizendo a uma
árvore, "Seja verde, floresça, dê frutos", e então corte as raízes
dela, de tal modo que a árvore não possa ser verde. E ao ver que a árvore não
está verde, você pode saltar sobre ela e dizer: "Escute! Você não escuta,
não nos segue. Não tem fé suficiente. Cansamos de dizer "Seja verde,
floresça, dê frutos, dance ...", e enquanto isso, continua a cortar as
raízes dela.
O amor é negado a tal ponto... E o amor é a coisa mais rara do mundo, ele não
deveria ser negado. Se uma pessoa puder amar cinco pessoas, deveria amar cinco
pessoas. Se puder amar cinquenta, deveria amar cinquenta. Se puder amar
quinhentas, deveria amar quinhentas. O amor é tão raro que, quanto mais você
puder espalhá-lo, melhor. Mas existem grandes estratégias - você é forçado a
ficar num cantinho estreito, encolhido. Muito estreito. Você pode amar somente
a sua esposa; a esposa somente o seu marido, somente isso e aquilo - as condições
são inúmeras. É como se houvesse uma lei dizendo que você pudesse respirar
somente quando está com sua esposa, somente quando está com seu marido. Assim,
a respiração será impossível! Assim, você morrerá e não será nem mesmo capaz de
respirar enquanto estiver com sua esposa ou seu marido. Você precisa respirar
vinte e quatro horas por dia. Esse é um direito seu!
Seja amoroso.
E há ainda uma outra estratégia: eles falam sobre um "amor mais
elevado", e aniquilam o inferior. Eles dizem que o inferior precisa ser
negado: o amor corporal é ruim e o amor espiritual é bom.
Você já viu um espírito sem corpo? Você já viu uma casa sem alicerces? O
inferior, a base é o alicerce do superior. O corpo é a sua moradia; o espírito
vive no corpo, atua na matéria com o corpo. Você é um espírito com corpo e um
corpo com alma - você é ambos. O inferior e o superior não estão separados,
eles são um só - são degraus de uma mesma escada. O inferior não deve ser
negado, mas transformado em superior. O inferior é bom. Se você se estagnar no
inferior, a falta é sua, e não do inferior. Nada está errado com o degrau mais
baixo da escada. Ele apenas existe. Apenas está ali. Se você parar nele, você
está parado; trata-se de algo em você. Não culpe o degrau.
Mexa-se.
O sexo não está errado. Você está errado se ficar estagnado ali. Vá para cima.
O mais elevado não é contrário ao mais inferior; o mais inferior torna possível
que exista o mais elevado.
E essas estratégias criaram muitos outros problemas. Toda vez que você
está amando, você se sente culpado; surge uma culpa. E, quando existe culpa,
você não pode entrar totalmente no amor — a culpa o impede, o mantém preso. E
existe culpa mesmo ao fazer amor com sua esposa ou seu marido: você acha que isso
é pecado, que é feio, acha que está fazendo algo errado, "os santos não
fazem isso" — você é um pecador. Dessa maneira, você se trava e não pode
se mover totalmente, mesmo quando tem a permissão superficial de amar sua
esposa. O sacerdote já está escondido atrás de você, em seu sentimento de
culpa; dali ele o puxa, puxa as suas cordas, de você, o marionete.
Quando a culpa surge, você começa a sentir que está errado; você derruba sua
auto-estima, perde o respeito por si mesmo. E surge um outro problema: quando
existe a culpa, você começa a fingir. Os pais não permitem que seus filhos
saibam que eles estão fazendo amor; eles fingem, fingem o tempo todo que o sexo
não existe. Mais cedo ou mais tarde, esse fingimento deles vai ser descoberto
pelos filhos. E, quando os filhos descobrem o fingimento, perdem toda a
confiança nos pais. Eles se sentem traídos e ludibriados.
E os pais dizem que os filhos não os respeitam — você é a causa disso; como
eles podem respeitá-lo? Você os tem enganado de todas as maneiras, tem sido
desonesto, indigno por tanto tempo. Você tem dito a eles para não fazer amor,
"Tomem cuidado!", e você faz amor o tempo todo! E mais cedo ou mais
tarde virá o dia em que eles se darão conta de que nem mesmo o pai e a mãe foram
verdadeiros com eles. Como eles podem respeitá-los?
Primeiro, a culpa cria o fingimento. Depois, o fingimento cria a alienação das
pessoas. Mesmo o filho, o próprio filho, não se sentirá sintonizado com você.
Foi criada uma barreira: o seu fingimento. E, quando você sabe que todos estão
fingindo... um dia você percebe que também entrou no jogo está
simplesmente fingindo e que os outros estão fazendo o mesmo. Quando todos estão
fingindo, como você pode se relacionar? Quando todos são falsos, como você pode
se relacionar? Como você pode ser amigável quando em todos os lugares existem
fraudes e tapeações? Você fica muito magoado com a realidade, fica muito amargo
e desiludido. Você a percebe somente como uma oficina do demônio.
Rajneesh Chandra Mohan Jain
Livro Amor, Liberdade e Solitude, Editora Cultrix